Por Matheus Kern
Todo grande derby é marcado por pequenos detalhes que marcam para sempre a memória dos torcedores apaixonados. O clássico Gre-Nal é exatamente assim. Neste último, realizado no domingo passado e que terminou empatado, várias destas pequenas histórias não serão só debatidas com o decorrer da semana, mas sim até a data do próximo clássico, pela Copa Sul-Americana, no estádio Beira-Rio. A ‘Futebol em Destaque’ seleciona alguns destes protagonistas para uma análise mais profunda:
OS HERÓIS
Roger e Taison podem ser considerados os destaques mais positivos do clássico 370. Do lado tricolor, Roger não brilhou como se esperava, talvez devido a forte marcação sofrida por Edinho e Magrão, mas no momento decisivo, lá estava ele para converter a penalidade (com direito a paradinha) que decretou a igualdade no placar. Do lado colorado, Tite surpreendeu a todos utilizando o garoto Taison no lugar dos pretendentes Adriano e Gil, e o meia-atacante cumpriu o que houvera prometido: iria “pra dentro deles, sem medo de ninguém”. Pela esquerda, enquanto esteve em campo, não deixou o lateral gremista Paulo Sérgio avançar e foi um perigo constante para a defesa gremista. Nota 10 para os dois.
OS VILÕES
Renan foi o principal vilão do clássico, disparado. O pênalti infantil que cometeu e a conseqüente expulsão foram vitais para a não vitória colorada. Com o resultado praticamente garantido, o jovem arqueiro colorado fez algo que dele nunca se esperaria, mostra de que ainda não atingiu a plena maturidade. Já a colocação de Celso Roth como o vilão gremista não será tão consensual. Mas o técnico gremista preteriu o talentoso Rafael Carioca pelo burocrático Willian Magrão para “proteger a defesa”, segundo ele. Na segunda etapa, com a entrada de Carioca, o Grêmio pressionou e passou a criar muito mais. O quão diferente poderia ter sido o resultado se o Grêmio tivesse iniciado com outra escalação?
OS ILUMINADOS
Tite e Rodrigo Mendes podem ser considerados os sortudos do clássico, sem querer tirar os méritos de nenhum dos dois. O técnico colorado, sob toda a desconfiança da torcida vermelha, escalou um time bem postado, apostando na juventude de Taison e na qualidade de Alex e Nilmar. Levou a melhor sobre o colega Celso Roth e vê se dissipar o preconceito de alguns colorados sobre o seu trabalho. O time começa a ganhar a cara de Adenor Bacchi. Mas mais do que Tite, Rodrigo Mendes é o iluminado da vez. Entrou quando faltavam poucos minutos para o final da partida, quase que despercebido. Quando o goleiro Renan subiu para mais uma boa defesa, Rodrigo Mendes só cumpriu seu papel, especulando na pequena área. O atacante não esperava ser chutado pelo goleiro colorado e cavar o pênalti que o Grêmio tanto precisava para não ser derrotado pelo rival em pleno estádio Olímpico.
No final, o empate foi mesmo o resultado mais justo. São pequenos detalhes e histórias que fazem o clássico Gre-Nal 370 entrar para a história. Assim como os outros 369 que já passaram.


4 Comentários
Julho 1, 2008 às 8:09 pm
Iguais não! A torcida tricolor tava liinda e a colorada só no trenzinho da alegria!
Julho 1, 2008 às 8:29 pm
Infelizmente para a torcida colorada, esse gre-Nal ficará marcado como o jogo em que uma infantilidade de um dos goleiros mais promissores do país, Renan, acabou custando uma vitória que já se desenhava claramente ao Internacional. Mas novas oportunidades não faltarão: há o jogo de volta no Beira-Rio e os clássicos pela Sul-Americana – competição na qual não será novidade eliminar o rival…
Julho 2, 2008 às 1:06 am
Grande Matheus! Grande torcida Colorada, a maior e melhor do RS! Vi um Gre-Nal com diferenças, tanto táticas quanto técnicas e, acho que vi surgir um talento colorado, o menino chamado Taison, que de ver os jogos dos jumiores, não me era estranho. Esse guri se tiver a cabeça no lugar e ajuda dos companheiros e direçaõ, vai ir longe. Tite ganhou o jogo tático do mal humorado Roth, e se não fosse o erro do Renan e a trave, o Inter ganhaia sem muitas dificuldades o clásico!
abração
Julho 2, 2008 às 2:32 pm
Kern, não concordo com uma das últimas frases do teu texto. O empate não foi justo, justo seria o Inter ter ganho. A reação do Grêmio no segundo tempo foi muito atrapalhada e, não fosse o pênalti, não teria qualquer efetividade.