Julho 3, 2008...5:41 pm

Faltou Perna no Final

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Por Paulinho Azevedo

Após 90 minutos emocionantes e uma prorrogação morna, LDU conquista Libertadores nos pênaltis. Os jogadores do Fluminense mostraram garra e vontade de vencer, mas no final não resistiram ao cansaço físico e mental. As arquibancadas do Maracanã começaram a noite de ontem cheias de esperança e pirotecnia, mas no final só restaram lágrimas.

 

Os cariocas iniciaram o jogo pressionando, no entanto foram os equatorianos que abriram o placar. Aos 5 minutos, após uma bobeada da defesa tricolor, Bolaños chutou forte para fazer 1 a 0. O Flu, como de costume, não demorou a reagir e seis minutos depois conseguiu o empate. Thiago Neves, o nome do jogo, acertou um belo chute de fora da área e marcou seu primeiro da noite. Aos 28 minutos o atacante recebeu cruzamento da esquerda e só teve o trabalho de colocar para o fundo das redes. 2 a 1 para os donos da casa, e o primeiro tempo terminou assim.

 

Na segunda etapa a equipe de Renato seguiu pressionando e aos 12 minutos, Thiago Neves (ele de novo) cobrou falta com precisão e ampliou o marcador. Agora, pelo placar agregado a disputa estava empatada. 4 a 2 para a LDU em Quito, e 3 a 1 para o Flu no Rio, e o somatório dava 5 a 5. A partir daí o ritmo do jogo diminuiu. Os dois times criaram algumas chances, mas ninguém queria correr riscos. No final os equatorianos ainda colocaram uma bola na trave, deixando o Maracanã calado.

 

Na prorrogação as equipes mostraram cansaço e uma certa resignação. Os jogadores do Flu pareciam não ter mais de onde tirar forças para seguir jogando. Após 90 minutos de esforço e superação, os cariocas conseguiram tirar a desvantagem que tinham no início do jogo, mas faltou perna para manter o ritmo intenso no tempo extra. Já a LDU parecia satisfeita em levar a disputa para as penalidades, que foi o que de fato aconteceu.

 

Nos pênaltis os tricolores mostraram esgotamento e um certo nervosismo. Três dos principais jogadores do time,  Conca, Thiago Neves e Washington bateram mal e permitiram a defesa do goleiro. E a noite que começou sendo de Thiago Neves, acabou glorificando Cevallos. 3 a 1 para a LDU e fim de sonho para os cariocas.

 

LDU e Fluminense fizeram uma final de Libertadores atípica. As duas equipes seguem a filosofia de jogar e deixar jogar. Dessa forma, o que se viu foram dois jogos de poucas faltas e muitos gols. Talvez seja um sinal de que aquelas partidas cheias de encontrões e duras divididas hoje façam parte do passado da nossa tão gloriosa competição continental. Pode ser um caso isolado, mas também pode ser que o futebol arte não esteja tão ultrapassado quanto se pensava.

2 Comentários

  • Eu fiquei imaginando, antes da final, se a LDU treinaria cobranças de pênalti ou as deixaria de lado, já que tinha dois gols de vantagem sobre o Fluminense. Pelo jeito quem não treinou as penalidades foram os cariocas, tomados pela soberba de Renato Gaúcho.

    Gostei muito dessa última reflexão que tu fizeste, Paulo: será que aí está um sinal de que o futebol bem jogado não morreu? As últimas três finais (Inter x São Paulo, Grêmio x Boca e Flu x LDU) demonstraram isso..

    Grande abraço e parabéns pelo texto!

  • Pior que eles treinaram, ouvi no rádio que eles treinaram entre 170 e 200 cobranças no dia anterior. Mas acontece que com estádio vazio na hora do treino é uma coisa. Com mais de 80 mil pessoas numa final de Libertadores é outra, né.


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